A capa do meu próximo livro

 

O menino que há em mim

É incrível como a gente vai esquecendo as coisas boas, não é? Eu, por exemplo, esqueci o menino que um dia fui e o quanto ele é importante para mim.

Simplesmente esqueci.

Dias desses, olhei lá no cantinho da minha existência e vi um menino agachado no chão chorando. Deu para ver que não estava muito satisfeito comigo. Acontece que não cumpri com o prometido.

Não deixei ele brincar.

Esse menino que um dia fui sempre sonhou em ser escritor, eu não deixei.

Como pude fazer isso?

Ele ralhou comigo. Lágrimas escorriam de seu rosto, mas isso não o impedia de reivindicar seu direito de brincar.

"Tá bom, eu deixo você brincar de escritor. Vai lá, me conte suas histórias. Surgiram três livros.

"Esse menino fala muito!"

Ele olhou sério para mim e disse:

"Você se lembra agora?"

Lembro sim...

Quando menino, com menos de dez anos, passei dias escrevendo em um caderno velho a história de uma família que viveu em um acampamento sem-terra, conquistaram seu pedacinho de chão. Muita luta, tudo muito difícil.

Ainda assim: Muito amor, descobertas, aventuras. Verdadeiro reino encantado.

Como pude me esquecer disso?

O menino está reescrevendo essa história. Quero mesmo vê-lo feliz. Deixar ele brincar.


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