Projeto livro DONA MARIA, ADELAIDE, MARICOTA Capitulo I — Então, esse daqui é o seu quarto. Pode deixar as suas coisas nesse armário. Eu já deixei tudo arrumado para você. — Sim, está tudo ótimo. — É que você não sabe como estava aqui antes. Este quarto estava servindo de depósito, você não tem noção. Havia uma pilha imensa de coisas. Não jogavam nada fora. — Sim. — Não sabia para que serviam, então coloquei tudo na garagem. Você vai ver depois. Vem, eu vou te mostrar o resto da casa. Preciso ir embora. — Mas e ela? — Está dormindo. O quarto é esse daqui. Ela deixa fechado e, se abrir sem a permissão, vira um inferno. — Entendi. — Então, está tudo certo. Preciso ir embora, mas amanhã eu volto para ver se está tudo bem. Fico feliz que você tenha vindo. Tem comi...
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É meus amigos o texto do livro Lona Preta Chão Pisado está quase pronto. Muito trabalho de pesquisa, desenvolvimento de personagens, cenários e motivações, mas acho que tá ficando muito bom. Espero mesmo que vocês gostem e leiam o meu livro. Olá, eu sou Luiz Reis, sou escritor e vou ler um pedacinho do capitulo O Atentado do Livro LONA PRETA CHÃO PISADO. “Contra a sua vontade, acatou novamente as ordens de seu irmão. Pouco se importava com os acampados; queria dar uma lição naquele boiadeiro que, depois de velho, resolveu mostrar as garras, dizer que é valente. Queria fazê-lo se pôr no seu lugar de reles capacho de patrão, varredor de pátio, esticador de arame, espremedor de berne, catador de bosta, tratador de vacas. Dentre os peões da fazenda de sua avó, encontrou dois que aceitaram participar de uma emboscada. ‘Aceitar’ talvez não fosse o termo certo. É fácil sentir-se pressionado a fazer o que não quer quando o que está em risco é a sua integridade física, o seu s...
Os Sonhos da Terra
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O que faz o sujeito entrar para o movimento sem-terra? Sonho de voltar para o interior, ir embora da cidade, trabalhar a terra novamente, livrar-se das amarras do patrão, ter um lugar só seu, criar seus filhos em um lugar tranquilo e prospero. Mas o que faz viver, manter-se acampado? Olá eu sou Luiz Reis, sou escritor, estou escrevendo um romance que se passa em um acampamento sem-terra e vou contar um trechinho do livro em que falo da vida no acampamento, as reuniões e a manutenção do sonho. Força motivadora e fator principal que mantém o trabalhador na luta da reforma agraria. A vida no acampamento é uma eterna releitura dos próprios sonhos, falando-se sempre em liberdade, em o que será feito no seu pedacinho de terra, o que vai criar, como será o plantio, o jeitinho em que será construída a casa, a cerca, o poço, o açude. Uns sonhando com pomares diversos, outros com cafezal, há quem sonhe em criar gado, cabras, galinhas. Agricultores e seus sonhos de cultivo de hor...
Meus Quarenta anos
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Hoje me peguei pensando na finitude e em como é estranho o quanto tentamos desesperadamente não pensar que teremos um fim. Nós que já nascemos e todos aqueles que ainda virão. Ninguém dos que surgiram nesta terra conseguiu burlar a barreira final, dinheiro, fé ou sorte, nada ajuda muito quando a hora chega. Aliás, nós que estamos vivos aqui hoje, estamos literalmente pisando na poeira de tantos que vieram antes. O ar que respiramos já inflou os pulmões de dinossauros, a água que bebemos já foi sangue circulando nas veias de gerações e todos morreram. Para tudo há um limite e o da vida agora me parece extremamente curto. Faço hoje quarenta anos e com muita sorte, cuidado ao atravessar as ruas, usando sempre o cinto de segurança, praticando exercícios físicos, cuidando da minha alimentação, escovando os dentes, com sorte consigo dobrar a aposta e viver até os oitenta. Estou aqui feliz, pensativo e quem sabe um pouco triste também, olhando para o que fiz, pensando no que estou fazen...
O Atentado
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O sol tímido do início da primavera teima em invadir o quarto de Seu Antônio, em forma de pequenos feixes de luz amarelada que transpassam as frestas dos desencontros das telhas, anunciando mais um dia de trabalho que se inicia. É preciso tombar a terra o quanto antes para não se ver perdido o tempo das chuvas. Essa nunca foi uma das preocupações em seu trabalho. Pouco se importava com os períodos de chuva, a não ser que isso viesse a afetar a qualidade do pasto. Mas, desde que não há mais vacas na fazenda e ainda mais depois que suas filhas constituíram matrimônio com lavradores de terra, adaptou-se, tornou-se também um lavrador. Preocupa-se agora com as chuvas em excesso, com os períodos de estiagem, com a lua minguante, com as ervas daninhas. Erva daninha para ele sempre foi mato, e mato as vacas comem. Agora, preocupa-se em afofar a terra, extirpar as pragas, jogar terra nos pés de feijão para que eles não...
A história da fazenda
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A fazenda Recanto do Boi Matador sempre foi lembrada por sua imponência e beleza, verdadeiro oásis de prosperidade e desenvolvimento aflorando no meio de literalmente nada, é o que diziam. Respeitada como uma fazenda moderna e rica, grande contratante de mão de obra. Pastos verdes bem tratados, ornados com belíssimos espécimes de vacas holandesas malhadas de branco e preto, com seus úberes inflados de leite quase a arrastar no chão. A estrada de Santa Lúcia, a Comunidade: capela, praça, escola e comércio só existem hoje porque um dia serviram em função da fazenda. Mas as coisas nem sempre foram assim. Quando Jonas, o finado dono da fazenda Boi Matador, assumiu aquelas terras em tributo de seu velho avô, prometeu a si mesmo transformar aquilo que herdou em uma fazenda de respeito e prestígio jama...
O Surgimento de uma Comunidade
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Aqui a história do surgimento da comunidade do Morro de Santa Cruz. Jorge da Conceição e sua família nesse conto sobre luta, sobrevivência e companheirismo. Conto presente no livro Contos Leves de Açúcar. O Nascimento de uma Comunidade Assim surgiu a comunidade do Morro de Santa Cruz Q uando descobriram o terreno baldio no morro o jovem casal já tinha três criancinhas pequenas que precisavam de um teto sobre suas cabeças e isso não dava pra ser conquistado lá de onde vieram. Chegou o saneamento básico, a pavimentação das ruas, lojas abriram suas portas uma praça surgiu. De repente, a especulação imobiliária tomou conta, tudo ficou muito caro. Pra garantir o teto era quase sempre necessário abrir mão do leite, da maisena e do franguinho de domingo. Morar e passar fome ou comer sentado na calçada, essas opções devoravam as noites de sono do pobre casal. Havia um morro da antiga pedreira na Zona Norte da cidade completamente abandonado. N...