Alvorecer
O dia no acampamento Utopia começava com a alvorada. Alvorada era o nome dado ao que o Velho João Batista deu de fazer todo dia assim que acordava. Se não fosse pelos seus roncos intensos poderíamos dizer que o velho não dormia. Estava de pé bem antes do raiar do dia. Juntava-se ao último turno da ronda e com eles acendia o braseiro do fogão, colocava a agua do café para ferver, sempre também uma panela de mandioca, batata doce, cará, inhame, fruta pão.
O primeiro som que se ouvia era a sua vassoura de mato chiando no terreiro, batendo na lona preta da barraca. Não era adepto ao relógio, o a primeira hora do dia, para ele, era o surgir dos raios de Sol no horizonte. Guardava sua vassoura, acariciava a cabeça da pequena vira-latas Tiziu, pegava o seu triangulo enferrujado pendurado no prego do esteio da cozinha e dava de cumprir a sua função de relógio despertador voluntário daquele povo. Uma marcação desritmada e estridente feita simplesmente para acordar e lembrar que é hora da labuta:
Trim! Trim! Trim! Trim! Trim!